Processo de Organização do Partido na Distrital Méier

A organização enquanto conceito de estrutura partidária vem da organização de filiados e articulados em movimentos sociais, portanto não bastam filiações de massa pura e simples, mas de um processo lógico de filiação e organização partidária de onde se trata de vários aspectos da filiação desde filiações de massa à filiações de caráter ideológico. Portanto desde algum tempo tratamos de filiar e filiar, mas para se ter um processo real nos próximos meses de organização é necessário trabalharmos na construção partidária que tem preceitos que vão além da mera filiação de massa. Esse aspecto remonta o 8° Congresso em certa medida.

No Plano de Estruturação Partidária se trata como elementos de organização: Formação, Organização em Bases e Militância em tais bases, portanto tomando como principio orgânico de nosso partido tratamos de organização em aspectos mais amplos que um mero projeto de crescimento quantitativo, mas pegando o elemento geográfico espelhado em nosso projeto, temos estes como fatores de construção partidária.

Se tratarmos a eleição em aspectos Leninistas iremos perder de vista a questão de conceitos como a hegemonia de Gramsci, que trata da exposição do PC no seio da sociedade em aspectos mais amplos que nos fazem perder de vista a necessidade de um crescimento maior do partido tomando como máxima a quantidade de onde extraímos a qualidade como também a própria estruturação Leninista fica relegada a segundo plano enquanto um partido de massa.

Para se construir um partido de massas e para a massa e necessário quadros em condições de dirigir a massa.

Da ultima eleição de onde tivemos nosso camarada Robertinho como candidato bem como Tia Bete, Dona Meire, De Luca dentre outros candidatos que disputaram votos em nossa região o processo de organização de partido foi ínfimo de acordo com as possibilidades. Temos que ter em vista que ao disputar uma eleição temos a proximidade de outra eleição em 2 anos e portanto a menos que tenhamos dinheiro o que não é o caso precisamos tratar de ganharmos ideologicamente os cidadãos envolvidos nos processos eleitorais. Esta não é nem pode ser vista como formula tipo panacéia mas sim como um processo dialético. Unidade de ação com disputa ideológica em dois campos o das idéias e daí a formação e o econômico que num embate ideológico precisa ser corroído por nossa capacidade de formação e organização.

Precisamos compreender que a sociedade se organiza desta forma e portanto se combatemos tal sociedade precisamos de instrumentos de combate condizentes com tal momento histórico onde permeia o individualismo e o espontâneo daí a maior eficácia de um processo coordenado de organização nestas pontas; Formação, militância e organização em bases tendo ainda como perspectiva que militância que vem a ser militar em organizações sociais que dêem visibilidade ao quadros partidários bem como a nossos candidatos.

Na distrital meier tivemos um decréscimo de votos ao que me parece fruto de relegarmos o trabalho organizativo em diversas nuances como aqui exposto e para que voltemos a ter um peso de maior representatividade; isso em relação a candidatura de Jandira nosso quadro de maior exposição pública. E inegável o papel de outros atores no processo; a mídia, a incompreensão dos comunistas num quadro de disputa pela hegemonia gerando inclusive disputas intestinas na esquerda com o PT e o PDT que não compreenderão que a disputa no município do RJ era uma disputa de projetos e não uma disputa entre forças políticas.

Para termos um maior alcance em nosso projeto se faz necessário ampliar nossa margem de votos tanto na disputa federal quanto estadual mesmo compreendendo como nossa prioridade o Congresso Nacional que nos últimos anos vem levantando a Clausula de Barreira de forma gradual ou pela ampliação de nosso peso político ainda tímido mesmo que com camaradas altamente capacitados que sempre tem aparecido dentre os destaques dos 100 parlamentares de maior influência no congresso.

Percebemos que no RJ um município que concentra 50 % dos votos do estado, um amplo campo de trabalho e o que precisamos encontrar é o que nos diferencie das demais forças da esquerda sem nos deslocarmos do centro do debate; diga-se aqui o nosso debate; a construção do PND concatenando com as nossas candidaturas, esse viés de unidade e luta dentre a esquerda. É ter claro quem são os aliados e onde temos contradições reais a explorar, tanto na esquerda inconseqüente como na direita que perdeu seu projeto. O Neoliberalismo ruiu enquanto projeto econômico, mas permanece ainda difuso no meio da sociedade amplamente apegada a valores individualistas.

Ainda no município se nota um claro recorte de classe enquanto ideal de uma parcela da população que se julga membro da Burguesia (A Pequena Burguesia) mais claramente localizada dentre moradores da Zona Sul e ainda alguns bairros da Zona Norte, daí vemos parte de nossa derrota na Distrital Méier, não só como mero erro tático, mas como resultado de um intenso processo que permeia a disputa ideológica no seio da sociedade carioca que mesmo definhando diante de algo próximo a uma babilônia ainda se coloca como o Rio de Janeiro dos Anos Dourados, a Capital Política, cultural e das belezas naturais brasileiras.

É preciso se dar conta que nosso discurso precisa dar conta dessa parcela social espremida entre o caos social e antiga sensação de centro produtor Brasileiro. A população não percebe que a desindustrialização da cidade do RJ é a maior geradora de criminalidade e nesse processo de embate e disputa ideologia se situa o PC do B, aqui então vislumbro em nossa distrital alguns elementos importantes; a favelização em torno de grandes indústrias, por exemplo, a GE no Jacarezinho e empresas de tecelagem, costura e demais produtores de insumos destas empresas; A favelização de Manguinhos área federal destinada a horto de experimentos da FIOCRUZ que vem basicamente na esteira da desindustrialização de Jacarezinho e Benfica. Bem aqui deixo lacunas em Favelas como as situadas na região mais próxima do bairro do Méier e imagino que a composição do Morro do Alemão se aproxime basicamente das já citadas Favelas de Jacarezinho e Manguinhos.

Nesta esteira vejo basicamente um dado de caráter nacional que coloco em relevo mais de forma tautológica que cientifica, mas que se faz verdade ao olharmos o grande numero de famílias onde as mulheres trabalham e são os chefes da família, diga-se aqui fundamentalmente mulheres negras. Dentro disto vejo a constituição do trabalho tanto do Robertinho com uma ênfase em capoeira mais inserida nesse contexto como o de Tia Bete que vem a ser o retrato mais fiel desta realidade.

O trabalho comunitário em nossa região não pode dispensar basicamente os bairros nem tornar exclusivo o trabalho em favelas mas é preciso a partir daqui ter em conta que nós os comunistas tecemos nosso trabalho embasados na ciência e para tanto não é possível relegarmos tais elementos.

Aqui não pretendo tecer nenhuma avaliação mais crua por não achar que uma percepção mais focal nos aproxime mais da realidade por isso teci esse documento com certo distanciamento visto que meu ainda parco conhecimento da região não permite maior detalhamento. Ainda não tenho este documento como fim e espero a contribuição coletiva nessa batalha. Desde já agradeço a meus camaradas desta direção que contribuíram no meu conhecimento e domínio da realidade desta região do Rio de Janeiro.

Bruno José de Oliveira.

Secretário de Organização do Distrital Méier do Rio de Janeiro

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